O Analista
(CarlosAS – 03/10/2008)
Atravesso tua fuga, motivo do meu espanto,
com minha voz mais sonsa, meu desejo escondido,
até do analista... e de mim...
Rasgo-me escondido entre os sussurros,
como se pudesse esconder-me vivo.
Então me flagro, em denúncias da minha consciência e
respondo, envergonhado, de mim pra mim;
- Deixa de ser ridículo!
Mas não tem jeito, digo-me atado;
- Não posso mentir o seu nome, negando-me...
- Não posso esconder sua foto do cérebro teimoso,
com meus olhos fechados - seu cúmplice!
Expurgo a sensatez teimosa em meu sorriso
quando, enfim, me vence as lembranças... suas imagens...
delato, assim, toda a vergonha das minhas mais relutantes mentiras
sempre que as vejo estampadas na minha cara-de-pau.
Me entrego, por fim, aos fatos da luz do meu túnel,
lá mesmo, no fim...
Que inútil, pois, se há luz, e as mesmas que me relatam
ao analista...
(...) Sim, o analista... ele sabe de tudo...
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